Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, faleceu na noite de quarta-feira, 4 de março de 2026. Ele estava internado em um hospital em Belo Horizonte após uma tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia da Polícia Federal (PF).
De acordo com o protocolo médico, Mourão apresentou morte cerebral, considerada legalmente como óbito no Brasil.
Mourão havia sido preso na manhã de quarta-feira durante a Operação Compliance Zero. Ele respondia por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Quem Era “Sicário”?
Segundo investigações da Polícia Federal, Mourão fazia parte de um grupo denominado “A Turma”, que também incluía Vorcaro. A PF aponta que “Sicário” era responsável pela coordenação de atividades de obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados estratégicos para o grupo.
O investigado realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados de segurança pública e investigação policial. Ele teria acessado ilegalmente sistemas da própria PF, do MPF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol.
Além disso, Mourão atuava na remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais, com o objetivo de coletar dados de usuários ou neutralizar críticas ao grupo. Ele coordenava equipes responsáveis pelas ações do grupo e também se envolvia em atividades de intimidação de ex-funcionários do Master, levantando informações sobre essas pessoas.
Em um dos episódios investigados, “Sicário” participava de uma conversa com Vorcaro sobre a organização de um assalto e possíveis ataques ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Esquema de Pirâmide e Movimentação Financeira
De acordo com a CNN Brasil, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Mourão movimentou R$ 28 milhões em contas de empresas ligadas a ele, em um esquema de pirâmide financeira, entre junho de 2018 e julho de 2021. O objetivo era atrair investidores e enriquecer de forma ilícita.
Ele é réu em ações propostas pelo MPMG, investigado por lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a economia popular. A denúncia aponta que Mourão utilizava pessoas jurídicas para triangulação de valores, ocultando recursos provenientes de crimes econômicos.
Antes de participar do esquema de pirâmide, Mourão atuava como agiota, segundo relatório da Polícia Militar de Minas Gerais. A análise de seu celular apreendido revelou que ele exercia papel central e de liderança no grupo, coordenando ações e gerenciando atividades ilícitas.
O relatório de inteligência da PM conclui:
“O cúmplice de Vorcaro exercia posição de chefia na organização criminosa, coordenando as ações dos demais membros e administrando as atividades ilícitas do grupo.”
Defesa de “Sicário”
A defesa de Luiz Mourão afirmou que ele não apresentou sinais aparentes de comprometimento físico ou psicológico durante o dia. A equipe jurídica tomou conhecimento do incidente somente após a divulgação de nota oficial da Polícia Federal, que relacionou o episódio a uma possível tentativa de autoextermínio.
A morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, marca o fim de uma figura central em operações criminosas investigadas no Brasil.
Suas atividades incluíam lavagem de dinheiro, agiotagem, coordenação de esquemas ilícitos e acesso ilegal a sistemas sensíveis, o que evidencia a complexidade e alcance das operações de “A Turma”.
As autoridades reforçam a importância de processos de investigação robustos para combater crimes econômicos e cibernéticos.
