A SAF Botafogo apresentou uma petição ao Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas pedindo a reconsideração da decisão que afastou John Textor do comando da sociedade.
O pedido foi assinado por 15 advogados e contesta pontos do processo movido pela Eagle, empresa que está em litígio com o empresário americano.
Defesa aponta supostas irregularidades no processo
Segundo a defesa da SAF Botafogo, a decisão teria ido além do que foi solicitado pela Eagle.
Os advogados afirmam que a empresa teria pedido apenas a anulação da liminar judicial que mantinha Textor no controle da SAF, e não o afastamento imediato do dirigente.
Para a SAF, uma medida dessa natureza deveria passar por deliberação em assembleia geral, com participação do clube associativo.
Disputa envolve controle da SAF
O afastamento de John Textor ocorre em meio a uma disputa societária envolvendo a Eagle e a administração da SAF Botafogo.
A Eagle detém participação majoritária na estrutura acionária e questiona decisões tomadas pelo empresário no comando da sociedade.
Enquanto o caso segue em análise, a gestão provisória da SAF Botafogo está sob responsabilidade do ex-presidente Durcésio Mello.
Operação com ações é contestada
Um dos pontos centrais da decisão envolve uma operação planejada por Textor em janeiro.
Na ocasião, o empresário teria firmado contrato para transferir ações da SAF Botafogo para outra empresa de sua propriedade, registrada nas Ilhas Cayman, sem autorização da Eagle.
A defesa da SAF afirma, porém, que a operação não seria concluída sem autorização da Ares, grupo que controla a Eagle.
SAF diz que e-mail foi omitido
Os advogados sustentam que existiria um e-mail capaz de demonstrar que a autorização da Ares seria necessária para qualquer avanço da operação.
Segundo a SAF Botafogo, essa informação teria sido omitida no processo arbitral e poderia alterar a interpretação sobre a conduta de Textor.
A operação com ações foi um dos principais fundamentos usados para justificar o afastamento provisório do empresário.
Recuperação judicial também entrou no debate
Outro argumento usado no processo foi a abertura de medidas ligadas à recuperação judicial da SAF.
A Eagle teria alegado que a iniciativa contrariava recomendação expressa da empresa, que possui 90% das ações da SAF.
A defesa do Botafogo, no entanto, afirma que não houve pedido definitivo de recuperação judicial, mas apenas medidas preparatórias para avaliar alternativas financeiras.
SAF acusa Ares de interesse no Lyon
A petição também aponta que a Ares estaria atuando na disputa com o objetivo de assumir o controle definitivo do Lyon.
Segundo a versão defendida por Textor, o clube francês teria valores pendentes com o Botafogo. A SAF afirma que essa questão estaria ligada ao conflito societário mais amplo.
Esse ponto reforça a narrativa da defesa de que a disputa ultrapassa a administração do clube brasileiro.
Afastamento ainda é provisório
A decisão que retirou Textor do comando da SAF Botafogo tem caráter provisório.
O caso deverá ser reavaliado a partir da próxima semana pelo Tribunal Arbitral da FGV. Até lá, a administração permanece com Durcésio Mello.
A expectativa é que novos documentos e argumentos sejam analisados antes de uma definição mais ampla sobre o comando da SAF.
Conclusão
A SAF Botafogo tenta reverter o afastamento de John Textor alegando irregularidades no processo arbitral e omissão de informações relevantes.
A defesa sustenta que a medida não teria sido diretamente solicitada pela Eagle e que decisões sobre o comando da SAF deveriam passar por assembleia.
Enquanto o tribunal reavalia o caso, a disputa societária segue aberta e pode ter impacto direto no futuro administrativo do Botafogo.
