A greve de professores da rede municipal de São Paulo ganhou força após o prefeito Ricardo Nunes (MDB) enviar à Câmara dos Vereadores um projeto de lei que prevê reajuste salarial de 3,51% para servidores municipais.
A proposta, apresentada pela gestão municipal, provocou reação entre educadores, incluindo parte dos profissionais que ainda não havia aderido à paralisação iniciada na semana anterior.
O projeto prevê que o aumento seja pago de forma parcelada. A primeira parcela seria de 2% ainda este ano, enquanto a segunda, de 1,51%, passaria a valer a partir de maio de 2027.
Segundo o texto enviado aos vereadores, a segunda parcela poderá ser antecipada para 2026 caso haja disponibilidade orçamentária e financeira.
Projeto Avança em Primeira Votação
A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal com 32 votos favoráveis. Outros 16 vereadores, todos da oposição, votaram contra o projeto, enquanto houve uma abstenção. Para virar lei, o texto ainda precisa passar por uma segunda votação no plenário.
Antes disso, a proposta será discutida em audiência pública marcada para o dia 12. O debate deve reunir representantes da prefeitura, vereadores, sindicatos e profissionais da educação, em meio à pressão crescente da categoria por mudanças no texto.
Professores Pedem Reajuste Maior
Os professores municipais reivindicam aumento real de 10%, além dos 5,4% referentes ao piso nacional do magistério.
O reajuste federal foi anunciado pelo governo por meio de medida provisória assinada pelo presidente Lula e vale para professores da educação básica em todo o país.
No projeto da gestão Nunes, o reajuste federal aparece como abono complementar. Essa forma de pagamento é criticada pelos educadores, porque o valor não incide sobre benefícios e obrigações como férias, aposentadoria e contribuição ao INSS. Para a categoria, isso reduz o impacto real do aumento nos salários e na carreira.
Prefeitura Defende Proposta Salarial
A prefeitura afirma que o cálculo do reajuste de 3,51% foi baseado no IPC-FIPE acumulado entre abril de 2025 e março de 2026. Segundo a gestão municipal, a medida terá impacto superior a R$ 1 bilhão por ano na folha de pagamento.
A Secretaria Municipal de Educação também afirma que parte dos profissionais receberá aumento de 5,4% no piso inicial.
De acordo com a prefeitura, um professor em início de carreira, com jornada de 40 horas semanais, passará a receber R$ 5.831,88, valor que ficaria 13,7% acima do piso nacional da categoria previsto para 2026.
Contratações Temporárias Também Geram Críticas
Além do reajuste, o projeto enviado por Ricardo Nunes propõe ampliar o limite de contratação de profissionais da educação sem concurso público.
Atualmente, a prefeitura pode contratar até 20% dos profissionais dessa forma. A nova proposta eleva esse limite para 30%.
Educadores criticam a medida por entenderem que ela pode aumentar a presença de trabalhadores temporários na rede municipal, afetando a estabilidade do quadro de servidores e a qualidade do ensino.
A ampliação das contratações sem concurso tornou-se outro ponto de tensão entre a gestão e a categoria.
Escolas Têm Aulas Afetadas Pela Greve
Com a ampliação da paralisação, escolas municipais de diferentes regiões de São Paulo registraram impacto no atendimento aos alunos. Pais e responsáveis receberam comunicados informando sobre a greve e explicando os motivos da mobilização.
Algumas unidades não fecharam totalmente, mas passaram a organizar rodízios de turmas. Em determinadas escolas, apenas algumas salas tiveram aula em dias específicos, enquanto outras turmas ficaram sem atendimento.
Segundo a prefeitura, 5% das unidades informaram ausência de atendimento até o momento. A gestão municipal afirma ainda que uma decisão do Tribunal de Justiça determina o funcionamento das escolas com pelo menos 70% dos professores e profissionais de apoio. Ausências não justificadas poderão ser descontadas conforme a legislação.
Conclusão
A proposta de reajuste parcelado apresentada por Ricardo Nunes intensificou a insatisfação dos professores municipais de São Paulo e ampliou a greve na rede.
Enquanto a prefeitura defende o impacto financeiro da medida e os valores pagos no início da carreira, os educadores cobram aumento real, valorização do piso do magistério e melhores condições de trabalho.
A segunda votação na Câmara e a audiência pública devem ser decisivas para os próximos passos da mobilização.
