O Flamengo iniciou a temporada 2026 sob desconfiança no setor que foi um dos seus maiores trunfos no ano anterior: a defesa. Após 25 dias de pré-temporada e seis partidas disputadas entre Campeonato Estadual e Brasileirão, o time já apresenta sinais claros de instabilidade defensiva. Tirando o clássico contra o Vasco, o Rubro-Negro foi vazado em todos os compromissos até aqui, cenário que contrasta com a consistência apresentada ao longo de 2025.
Mais do que números, o que chama atenção é a forma como os gols aconteceram. Falhas individuais, desorganização coletiva e dificuldades de recomposição têm sido frequentes, acendendo um sinal de alerta na comissão técnica e entre os torcedores.
Um contraste com a solidez defensiva de 2025
Na última temporada, o Flamengo sofreu 49 gols em 75 jogos, mantendo uma média inferior a um gol por partida. O sistema defensivo era considerado um dos mais equilibrados do futebol brasileiro, sustentando campanhas sólidas nas competições nacionais.
Em 2026, porém, o desempenho inicial aponta para um cenário diferente. Em cinco gols sofridos até agora, quatro tiveram participação direta de erros individuais. Zagueiros e laterais, que antes transmitiam segurança, passaram a cometer equívocos de posicionamento, passes arriscados e perdas de duelo em momentos decisivos.
Falhas pontuais e dificuldades de recomposição
Alguns episódios marcaram negativamente o início do ano. No clássico contra o Fluminense, erros de Léo Ortiz e Emerson Royal custaram caro. Diante do São Paulo, Léo Pereira e Pulgar não conseguiram manter o nível habitual, abrindo espaços na defesa.
Outro exemplo emblemático foi o empate contra o Internacional. Um passe errado no meio-campo desorganizou completamente a linha defensiva, obrigando os zagueiros a correrem longas distâncias para trás. A perseguição tardia permitiu que o ataque adversário explorasse a lentidão na recomposição, algo que raramente acontecia na temporada passada.
Condição física vira ponto central do debate
Internamente, o Flamengo trata a questão física como um dos principais fatores para a queda de rendimento defensivo. Desde a reapresentação do elenco, em 12 de janeiro, a carga de trabalho no Ninho do Urubu foi cuidadosamente controlada. A estratégia visava evitar novas lesões em atletas que retornaram das férias sem o condicionamento ideal.
O efeito colateral dessa abordagem foi a falta de ritmo coletivo. Muitos jogadores ainda buscam o melhor tempo de bola, o que tem comprometido o posicionamento e a leitura defensiva em situações de transição rápida.
Lesões e poucas alternativas ampliam desgaste
A escassez de opções no setor agrava o problema. Danilo segue fora por conta de um problema crônico no joelho esquerdo, reduzindo as alternativas no miolo da zaga. Léo Ortiz e Léo Pereira, que foram muito exigidos no fim de 2025, começaram 2026 praticamente sem descanso e acumulam minutos em campo.
Nas laterais, o cenário é semelhante. Alex Sandro, aos 35 anos, segue sob rígido controle de carga física. Do lado direito, Varela iniciou o ano como titular, mas Emerson Royal tem sido utilizado tanto para ganhar ritmo quanto para tentar justificar o investimento feito pelo clube.
Rodízio ganha força e reforço pode aparecer
Com o calendário apertado e a defesa sobrecarregada, o Campeonato Estadual surge como oportunidade para testes. A chegada de Vitão amplia as possibilidades de rodízio e pode resultar em mudanças já nos próximos jogos. O reforço vem sendo preparado gradualmente, mas há expectativa de que receba minutos em campo para aliviar o desgaste dos titulares.
No meio-campo, Pulgar tem assumido papel central na proteção à zaga. Jorginho ainda não atingiu sua melhor condição física, enquanto Saúl se recupera de cirurgia e De La Cruz exige cuidados especiais por conta do joelho. Diante desse cenário, o jovem Everton Araújo desponta como opção para ganhar espaço.
Desafio de Filipe Luís no início da temporada
O técnico Filipe Luís enfrenta um dilema clássico de início de ano: preservar a base de uma equipe vitoriosa ou promover mudanças para garantir fôlego ao longo da temporada. Até agora, a escolha por manter o conjunto tem cobrado seu preço na parte física, especialmente no sistema defensivo.
A tendência é que o rodízio seja ampliado nos próximos compromissos, principalmente enquanto o Estadual permitir ajustes sem grande impacto competitivo.
Estadual como laboratório para ajustes
Apesar do início irregular, o ambiente interno ainda é de cautela, não de alarme. A avaliação é de que, com mais jogos, melhor condicionamento físico e ajustes pontuais, a defesa volte a ser um ponto de segurança.
O Campeonato Estadual, nesse contexto, funciona como um laboratório importante. É o momento ideal para corrigir erros, testar alternativas e recuperar a confiança antes que o calendário nacional e internacional imponha desafios mais exigentes ao Flamengo ao longo de 2026.

