A noite de pré-Libertadores foi indigesta para dois clubes brasileiros, cada um à sua maneira. De um lado, o Bahia decepcionou no Chile. Do outro, o Botafogo encarou mais uma vez o temido cenário da altitude boliviana e saiu castigado.
Em Rancagua, o Bahia teve uma atuação aquém do esperado diante do O’Higgins. O jogo mal havia começado quando González acertou um belo chute logo aos três minutos, colocando os donos da casa em vantagem cedo demais. O gol mudou completamente o panorama da partida, obrigando o time brasileiro a assumir o controle do jogo.
E controle não faltou. O Bahia teve mais posse de bola, ocupou o campo ofensivo e rondou a área adversária durante boa parte do confronto. O problema esteve naquilo que mais decide partidas: a finalização. Apesar do domínio territorial e da insistência, o time não conseguiu acertar o alvo nenhuma vez, transformando volume de jogo em frustração. A impressão deixada foi ruim, sobretudo por se tratar de uma estreia continental que pedia mais eficiência e contundência.
A derrota, porém, não fecha portas. Jogando na Arena Fonte Nova, o Bahia terá condições de apresentar um futebol diferente, mais agressivo e preciso, empurrado por sua torcida. Ainda assim, o desempenho no Chile acendeu um sinal de alerta.
Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, o Botafogo enfrentava um adversário conhecido e implacável: a altitude de Potosí. No Estádio Víctor Ugarte, situado a cerca de 4 mil metros acima do nível do mar, o time carioca até resistiu bem fisicamente por longos períodos, mas pagou caro pelos erros.
O Botafogo criou chances, desperdiçou oportunidades claras e acabou punido em uma jogada de bola parada, perdendo por 1 a 0 para o Nacional Potosí. O resultado expôs um velho problema de jogos em altitude: quando não se aproveitam as poucas chances criadas, o castigo costuma ser imediato.
Assim, a rodada deixou lições duras para os brasileiros. O Bahia precisa transformar posse em gols. O Botafogo, ser mais cirúrgico. A Libertadores, mesmo antes da fase de grupos, já mostrou que não perdoa falhas.

