O Ministério do Trabalho do Brasil determinou o fechamento de três pilhas de rejeitos na principal mina da Sigma Lithium em Minas Gerais, alegando “risco grave e iminente” para trabalhadores e para a comunidade local, segundo documentos analisados pela Reuters.
Impacto direto na retomada da produção
A decisão agrava as dificuldades da empresa para retomar as operações da mina Grota do Cirilo, que já foi o maior projeto de produção de lítio do país. A unidade, com capacidade anual de 270 mil toneladas métricas de concentrado de lítio, está paralisada desde outubro.
Até o momento, nem a Sigma Lithium nem o Ministério do Trabalho responderam aos pedidos de esclarecimento.
Promessas não cumpridas e pressão do mercado
Em novembro, durante uma teleconferência de resultados, a companhia informou que a produção seria retomada em duas a três semanas. No entanto, isso não ocorreu.
Com a mina ainda inativa, o Bank of America rebaixou a recomendação das ações da Sigma na semana passada, citando falta de visibilidade sobre a retomada das operações. O anúncio provocou uma queda de 15% no valor dos papéis em um único dia.
Na terça-feira, a empresa listada na Bolsa de Toronto declarou que segue avançando em seu plano de retomada da produção.
Decisão oficial e rejeição do recurso
Os fiscais do trabalho emitiram a ordem de interdição das pilhas em 5 de dezembro. Nesta semana, o recurso apresentado pela Sigma foi negado, mantendo a proibição de acesso às áreas afetadas.
Ainda não está claro se a empresa consegue produzir lítio sem utilizar as três pilhas interditadas, que são usadas para armazenar resíduos após o processamento do minério.
Segundo documentos oficiais, a Sigma alertou que a perda de acesso às pilhas pode causar “impactos operacionais e econômicos significativos”, além de comprometer a continuidade da atividade de mineração.
Histórico recente de dificuldades
Desde 2023, a empresa enfrenta desafios financeiros, pressionada por queda nos preços do lítio e obstáculos na expansão das operações.
Além disso, a mineradora se envolveu em disputas legais com o ex-co-CEO Calvyn Gardner, ex-marido da atual CEO Ana Cabral. Gardner move uma ação judicial relacionada a direitos de mineração e já manifestou preocupações com a segurança na mina de Grota do Cirilo.
Problemas estruturais apontados por fiscais
Para voltar a usar as pilhas interditadas, a Sigma precisará apresentar documentos que comprovem a correção das falhas apontadas pelos inspetores.
Em uma visita realizada em 12 de novembro, um fiscal do trabalho relatou uma “ruptura parcial” em uma das pilhas, localizada próxima a uma escola na cidade de Poço Dantas, o que reforçou suspeitas de problemas estruturais.
Em relatório datado de 6 de janeiro, um inspetor afirmou que a empresa teve tempo suficiente para reduzir os riscos, rejeitando a alegação de que as estruturas seriam seguras.
