A indústria brasileira de esmagamento de soja caminha para atingir um nível histórico em 2026, de acordo com projeções atualizadas divulgadas na quinta-feira (22) pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade revisou sua estimativa de processamento para 61 milhões de toneladas, um avanço de 0,8% em relação à previsão anterior de 60,5 milhões de toneladas e um crescimento de 4,3% frente ao volume processado em 2025.
Produção de farelo e óleo também cresce
Além do aumento no esmagamento, a Abiove elevou suas projeções para os principais derivados da soja. A produção de farelo de soja passou a ser estimada em 47 milhões de toneladas, representando um acréscimo de 0,9% em relação à previsão anterior e uma alta de 4,2% na comparação anual.
No caso do óleo de soja, a produção estimada foi revisada para 12,25 milhões de toneladas, uma elevação de 0,8%, o que indica crescimento anual de 4,7%.
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, o aumento do processamento contribui para agregar valor à matéria-prima nacional e garantir o abastecimento de proteína e energia tanto para o mercado interno quanto para o mercado internacional.
Demanda segue favorável, impulsionada pelo biodiesel
Os fundamentos de demanda continuam positivos, especialmente para o óleo de soja, impulsionados pela política brasileira de mistura obrigatória de biodiesel. De acordo com Ariel Nunes, analista da Gran Center Commodities, a procura por óleo deve permanecer firme, enquanto o consumo de farelo tende a acelerar.
Ele destaca que, nos últimos anos, o aumento da mistura de biodiesel elevou as margens das indústrias esmagadoras por meio do óleo de soja. Ao mesmo tempo, com maior oferta de farelo, os preços tendem a recuar, tornando o produto mais competitivo e estimulando um crescimento adicional da demanda.
Exportações do complexo soja também avançam
A Abiove revisou para cima sua projeção de exportações do complexo soja, um dos pilares do comércio exterior brasileiro e da cadeia logística portuária. As exportações de soja em grão foram elevadas em 0,5%, alcançando 111,5 milhões de toneladas em 2026, o que representa crescimento de 3,1% em relação a 2025.
Apesar da revisão positiva, Ariel Nunes classificou a estimativa como otimista. Ele ressalta que, embora a China deva continuar como compradora relevante da soja brasileira, o país asiático mantém acordos de fornecimento com os Estados Unidos. Segundo o analista, os embarques podem desacelerar no segundo semestre, ficando mais próximos de 107 milhões de toneladas.
Óleo e farelo: desempenho diferente nas exportações
A projeção de exportações de óleo de soja foi elevada em 11,5%, chegando a 1,45 milhão de toneladas em 2026, volume 6,4% superior ao registrado em 2025. Já a estimativa para exportações de farelo de soja foi mantida em 24,6 milhões de toneladas, ainda assim indicando crescimento anual de 5,6%.
Preços mais altos devem elevar receitas externas
Além do aumento nos volumes, a Abiove espera que preços mais firmes impulsionem as receitas com exportações. A associação projeta que o complexo soja gere US$ 57,28 bilhões em receitas externas em 2026, um crescimento de 8,3% em comparação com o ano anterior.
O preço médio de exportação da soja em grão deve subir 5,6%, alcançando US$ 425 por tonelada. Em contrapartida, o farelo de soja deve registrar queda média de 1,4%, para US$ 335 por tonelada. Já o óleo de soja deve ter valorização de 7,3%, com preço médio estimado em US$ 1.140 por tonelada.
Estoques finais de soja devem aumentar significativamente
Mesmo com a expectativa de maior consumo interno de farelo e óleo, a Abiove projeta um crescimento expressivo dos estoques finais de soja no Brasil. Ao final de 2026, os estoques são estimados em 9,2 milhões de toneladas, cerca de 30% acima do nível registrado no encerramento de 2025.
Números consolidados de 2025
Em 2025, o Brasil processou 58,5 milhões de toneladas de soja, resultando na produção de 45,1 milhões de toneladas de farelo e 11,7 milhões de toneladas de óleo. As exportações somaram 108,2 milhões de toneladas de soja em grão, 23,3 milhões de toneladas de farelo e 1,36 milhão de toneladas de óleo.
No mesmo período, as importações alcançaram 969 mil toneladas de soja e 105 mil toneladas de óleo de soja.
