A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se manifestou oficialmente na noite deste domingo (1º) para esclarecer os principais pontos polêmicos da arbitragem na final da Supercopa do Brasil, disputada entre Flamengo e Corinthians, na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília.
Dentro de campo, o Corinthians venceu o Flamengo por 2 a 0 e conquistou o bicampeonato da Supercopa. Fora dele, porém, a partida ficou marcada por decisões que geraram grande repercussão, especialmente a expulsão de Jorge Carrascal e a confirmação de um apagão no sistema do VAR durante parte do segundo tempo.
Expulsão de Carrascal gerou controvérsia
O lance mais discutido do jogo aconteceu nos minutos finais do primeiro tempo. Carrascal, meia do Flamengo, foi flagrado dando uma cotovelada em Breno Bidon, jogador do Corinthians, fora da disputa de bola. A infração, no entanto, não foi punida imediatamente.
A expulsão só ocorreu após o intervalo, quando as equipes já retornavam ao gramado. O fato de o cartão vermelho ter sido aplicado fora do tempo regulamentar da primeira etapa causou estranheza e protestos, especialmente por parte do Flamengo e de seu técnico, Filipe Luís.
Em nota, a CBF explicou que, inicialmente, as imagens disponíveis não permitiam uma conclusão clara sobre o lance. Por esse motivo, o árbitro encerrou o primeiro tempo sem tomar qualquer decisão disciplinar.
Nova checagem do VAR fundamentou o cartão vermelho
Segundo a entidade, durante os procedimentos de revisão, novas imagens ficaram disponíveis para a equipe do VAR. A partir dessa nova checagem, foi identificada de forma inequívoca a conduta violenta do jogador do Flamengo.
Com base nisso, o VAR recomendou a revisão do lance ao árbitro principal, que avaliou as imagens e decidiu pela expulsão de Carrascal antes do início do segundo tempo.
A CBF reforçou que esse procedimento está amparado pelo Livro de Regras 2025/26 e pelo Protocolo do VAR da FIFA, que permitem a revisão de lances de violência extrema mesmo após o reinício do jogo ou o encerramento de um tempo.
VAR ficou inoperante em parte do segundo tempo
Além da expulsão, outro ponto sensível abordado pela CBF foi a interrupção do funcionamento do VAR durante o segundo tempo da decisão. De acordo com a entidade, houve uma queda de energia elétrica em setores do estádio, incluindo a cabine onde funciona a central de vídeo.
O sistema de contingência manteve o VAR ativo por cerca de 15 minutos, mas como a energia não foi restabelecida rapidamente, a partida ficou sem árbitro de vídeo entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo.
Nesse intervalo, um lance específico chamou atenção: um gol marcado por Memphis Depay, do Corinthians, foi anulado por impedimento na origem da jogada. A checagem rápida do lance gerou questionamentos, já que se tratava de um impedimento ajustado.
Arbitragem seguiu protocolos, afirma CBF
Mesmo com o problema técnico, a CBF garantiu que todos os protocolos internacionais foram respeitados. Segundo a nota, árbitro e assistentes comunicaram a situação tanto aos capitães quanto aos treinadores das duas equipes.
A Comissão de Arbitragem destacou ainda que não houve prejuízo técnico ou esportivo à partida, sustentando que todas as decisões tomadas em campo seguiram rigorosamente as Regras do Jogo.
Regras permitem revisão após reinício do jogo
Na nota oficial, a CBF também apresentou a fundamentação normativa que sustenta a decisão. O Livro de Regras 2025/26 prevê que o árbitro pode revisar um lance mesmo após o reinício do jogo em casos específicos, como conduta violenta, cuspir, morder ou atitudes extremamente ofensivas.
Além disso, as regras permitem que decisões relacionadas a incidentes ocorridos antes do fim de um tempo sejam alteradas, desde que a revisão aconteça dentro dos critérios estabelecidos.
Final marcada por polêmicas fora das quatro linhas
Apesar da vitória corintiana e da conquista do título, a final da Supercopa ficou marcada por debates sobre arbitragem, uso do VAR e falhas técnicas, reacendendo discussões sobre a estrutura e a confiabilidade do sistema em jogos decisivos do futebol brasileiro.
Com o esclarecimento oficial, a CBF tenta encerrar a polêmica, embora o episódio siga sendo amplamente debatido por torcedores, comentaristas e dirigentes.

