O Botafogo enfrenta nesta quarta-feira (18) o maior desafio de sua temporada até o momento. Pela segunda fase preliminar da Copa Libertadores, o time alvinegro encara o Nacional Potosí fora de casa, em um cenário que vai muito além das quatro linhas: a temida altitude de quase 4 mil metros da cidade de Potosí.
A partida acontece às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Víctor Agustín Ugarte, localizado a 3.967 metros acima do nível do mar — uma das maiores altitudes do futebol profissional. O confronto marca o início do mata-mata continental para o clube carioca, que chega pressionado por resultados recentes negativos.
Momento instável aumenta peso do confronto
O início de 2026 tem sido turbulento para o Botafogo. Apesar de alguns sinais de evolução em campo, o time acumula cinco derrotas consecutivas e foi eliminado do Campeonato Carioca pelo rival Flamengo. A sequência ruim aumenta a importância do duelo contra os bolivianos, tratado internamente como decisivo para o rumo da temporada.
Sob o comando do técnico Martín Anselmi, o elenco tenta reencontrar confiança justamente em um dos contextos mais hostis do continente.
Logística especial para enfrentar a altitude
Ciente das dificuldades impostas pela altitude extrema, a comissão técnica montou uma estratégia logística pouco convencional. Na última sexta-feira, o clube enviou antecipadamente um grupo alternativo e jovem à Bolívia, incluindo atletas como o goleiro Léo Linck, o volante Wallace Davi e o atacante Kauan Toledo. A delegação contou ainda com o técnico do sub-20, Rodrigo Bellão.
Já os principais jogadores, que atuaram no clássico estadual no domingo, viajaram apenas na tarde de terça-feira. A ideia é reduzir o tempo de exposição à altitude máxima e preservar o rendimento físico.
No dia da partida, o elenco ficará concentrado em Sucre, a cerca de 2.800 metros de altitude, e seguirá de ônibus para Potosí poucas horas antes do jogo, em um trajeto de aproximadamente três horas. A estratégia busca minimizar os efeitos fisiológicos mais severos, como fadiga precoce e falta de oxigenação.
Experiência individual e atenção redobrada em campo
Um dos líderes do elenco, o zagueiro Alexander Barboza destacou que, embora já tenha atuado em La Paz, a realidade em Potosí é ainda mais exigente. Segundo ele, a velocidade da bola muda completamente, tornando o controle e o tempo de reação fatores críticos.
A tendência é que o Botafogo adote uma postura mais compacta, priorizando linhas próximas e evitando desgaste excessivo. Cada erro técnico pode ser fatal em um ambiente onde a bola ganha velocidade incomum e o ar rarefeito compromete a recuperação física.
Anselmi aposta em experiência prévia em jogos de altitude
Apesar de estrear na Libertadores como técnico do Botafogo, Anselmi já viveu situações semelhantes no futebol sul-americano. Ele passou pelo Independiente del Valle, do Equador, clube acostumado a atuar em cidades acima de 2.500 metros.
Para o treinador, o maior desafio é separar o impacto real da altitude do aspecto psicológico. Ele reforça que o time não pode entrar em campo dominado pela condição externa, tratando a altitude como mais um adversário a ser superado dentro do plano de jogo.
Desfalques importantes preocupam comissão técnica
Para o confronto desta quarta-feira, o Botafogo terá baixas relevantes. O volante Danilo ficou fora da lista após sentir dores musculares na coxa esquerda no último clássico. Além dele, Allan e o atacante Arthur Cabral também seguem fora por problemas físicos, reduzindo as opções ofensivas e de marcação pelo meio.
Outro ponto de atenção é o momento instável dos goleiros. Falhas recentes aumentaram a pressão sobre o setor, especialmente em um jogo no qual finalizações de longa distância costumam ser frequentes devido à altitude.
Adversário estreia na temporada, mas aposta em reforço experiente
O Nacional Potosí faz sua primeira partida oficial em 2026. A equipe terminou o último Campeonato Boliviano na sétima colocação e vem de resultados negativos em amistosos regionais. Ainda assim, aposta no fator casa e na adaptação natural à altitude como trunfos.
O principal reforço para a temporada é o atacante argentino Óscar Villalba, de 34 anos, artilheiro do último torneio nacional boliviano, com números expressivos.
Resultado fora de casa pode definir rumo do ano
Sair de Potosí com um empate ou até mesmo uma derrota mínima é visto como aceitável pela comissão técnica. Isso porque, além do jogo de volta no Rio de Janeiro, o Botafogo ainda terá compromissos paralelos no calendário estadual.
Avançar à fase seguinte da pré-Libertadores pode representar não apenas alívio esportivo, mas também impacto financeiro significativo, com premiação milionária e a chance de disputar a fase de grupos do torneio continental.

