Câmara derruba mudanças do Senado e confirma aprovação do PL Antifacção

O relator Guilherme Derrite (PP-SP) apresentou novo parecer para restabelecer trechos do projeto originalmente aprovados pela Câmara dos Deputados, revertendo alterações promovidas pelo Senado.

A tramitação foi marcada por divergências políticas e disputas sobre pontos centrais da proposta, incluindo financiamento da Segurança Pública, tipificações penais e divisão de recursos apreendidos.

Recomposição Do Texto Original Da Câmara

Após críticas às modificações feitas pelos senadores, Derrite defendeu a retomada da redação inicial aprovada pelos deputados. Entre os principais pontos recompostos está a divisão de bens e valores apreendidos em operações conjuntas.

O parecer restabeleceu o dispositivo que prevê a partilha igualitária dos recursos entre o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os Fundos Estaduais de Segurança Pública, sempre que houver cooperação entre as esferas federal e estadual.

Segundo o relator, a mudança busca assegurar equilíbrio federativo e reforçar o financiamento de políticas públicas de combate ao crime organizado.

Reintrodução De Tipificações Penais E Endurecimento De Penas

Outro ponto retomado foi o uso da expressão “organização criminosa ultraviolenta”, retirada anteriormente pelo Senado. Derrite também reinseriu a criação do tipo penal denominado “domínio social estruturado”, que pretende enquadrar organizações criminosas com controle territorial e influência sistemática sobre comunidades.

Além disso, foi restaurada a previsão de pena-base que pode alcançar até 40 anos de reclusão, endurecendo o tratamento jurídico a crimes ligados a essas organizações.

Essas mudanças geraram controvérsia entre parlamentares aliados do governo federal, que consideram algumas tipificações excessivas ou juridicamente questionáveis.

Restrição De Benefícios E Regime Rigoroso Para Líderes De Facções

O texto recomposto também retomou medidas que restringem benefícios a integrantes de facções criminosas. Entre elas:

  • Corte do auxílio-reclusão destinado a familiares de líderes de organizações criminosas;
  • Restrição ao direito de voto de presos envolvidos em facções;
  • Determinação de que líderes cumpram pena exclusivamente em presídios federais de segurança máxima.

Essas medidas reforçam o caráter mais rígido da proposta, com foco no enfrentamento direto ao crime organizado.

Cide-Bets E Financiamento Da Segurança Pública

Entre os dispositivos acolhidos pelo relator estava a criação da Cide-Bets (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre apostas esportivas). O tributo incidiria sobre as chamadas “bets” e teria como finalidade financiar ações de Segurança Pública.

No entanto, o plenário aprovou destaque que retira esse trecho do projeto principal. Com isso, a Cide-Bets deverá tramitar como projeto de lei autônomo, separado da proposta original.

Essa decisão alterou significativamente a estratégia de financiamento prevista no texto recomposto.

Tramitação Conturbada E Divergências Políticas

Guilherme Derrite já havia relatado o projeto na fase inicial de tramitação na Câmara. Sua escolha para a relatoria, contudo, gerou desconforto entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que Derrite é ligado politicamente ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

O governo federal avaliou que o texto final apresentado pelo relator teria se afastado da proposta original elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O chamado PL Antificção foi encaminhado ao Congresso Nacional pelo Executivo no início de novembro do ano passado.

Durante a primeira fase de votação na Câmara, apesar de ser autor da proposta, o governo orientou sua base a votar contra a versão relatada por Derrite.

As principais críticas dos governistas concentraram-se:

  • Na criação do tipo penal de “domínio social estruturado”;
  • Na destinação dos recursos apreendidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública, em vez do Funad (Fundo Nacional Antidrogas).

Principais Pontos Do Projeto Recomposto

TemaAlteração Promovida Pelo RelatorSituação Atual
Divisão de bens apreendidosPartilha igual entre FNSP e fundos estaduaisRestabelecida
Organização criminosa ultraviolentaTermo reinseridoMantido no parecer
Domínio social estruturadoTipo penal recriadoReintroduzido
Pena máximaPode chegar a 40 anosRestaurada
Auxílio-reclusãoCorte para familiares de líderesRetomado
Direito de votoRestrição para presos de facçõesReintroduzido
Regime prisionalCumprimento exclusivo em presídios federaisRestabelecido
Cide-BetsTributo sobre apostas esportivasTransformado em projeto autônomo

A recomposição do texto pelo relator Guilherme Derrite reacendeu debates sobre política criminal, federalismo e financiamento da Segurança Pública. Ao restabelecer trechos considerados mais rigorosos, o parecer reforça uma linha de endurecimento penal e combate estruturado ao crime organizado.

No entanto, a tramitação marcada por disputas políticas evidencia o desafio de equilibrar segurança jurídica, coordenação federativa e consenso legislativo em temas sensíveis como o enfrentamento às facções criminosas.

By Marshal

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *