Ato convocado por Nikolas contra Lula e Moraes junta 22,8 mil na Paulista

O ato “Acorda, Brasil”, convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reuniu aproximadamente 22.800 pessoas neste domingo, 1º de março de 2026, na Avenida Paulista, em São Paulo. A mobilização teve como principais alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Além de Nikolas Ferreira, o evento também contou com o apoio do Partido Novo, que convocou a manifestação sob o lema “Fora Lula. Fora Moraes, Fora Toffoli”. Entre as pautas defendidas estavam o pedido de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Como Foi Feita a Estimativa de Público

A estimativa de público foi realizada com base em imagens aéreas de alta resolução captadas às 16h09 — momento de maior concentração do ato, pouco antes dos discursos de Nikolas Ferreira e do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP).

As fotografias foram registradas por drone e, posteriormente, analisadas com o auxílio do Google Earth para calcular a área ocupada pelos manifestantes em metros quadrados. A partir desse mapeamento, foi possível determinar a densidade de pessoas por metro quadrado em diferentes trechos da avenida.

Critérios de Densidade Utilizados

Para tornar o cálculo mais preciso, os organizadores da análise classificaram os espaços conforme a concentração de pessoas:

  • Densidade baixa: 1 pessoa por m²
  • Densidade média-baixa: 2 pessoas por m²
  • Densidade média: 3 pessoas por m²
  • Densidade média-alta: 4 pessoas por m²
  • Densidade alta: 5 pessoas por m²

Após a categorização das áreas, foi feita a soma total estimada de participantes. Ainda assim, os responsáveis destacaram que o número sempre será aproximado, considerando que em eventos dessa natureza há constante movimentação do público. Além disso, não é possível visualizar com total precisão pessoas posicionadas sob árvores ou marquises de edifícios.

Estimativa Alternativa Via Software Chinês

Outra estimativa foi apresentada pelo projeto Monitor do Debate Político no Meio Digital, iniciativa acadêmica criada em 2015 na USP e sediada no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

De acordo com o levantamento, o ato contou com cerca de 20.400 participantes, com margem de erro de 12% para mais ou para menos. Isso significa que o público pode ter variado entre 18.000 e 22.900 pessoas.

O cálculo foi realizado com auxílio do software chinês Point to Point Network, ferramenta que utiliza processamento digital de imagens para estimar multidões a partir de padrões visuais.

Críticas ao STF Marcam Discursos

Durante o evento, Nikolas Ferreira afirmou que o destino de Alexandre de Moraes “não é impeachment, é a cadeia”. O deputado declarou que não teme o ministro do STF, a quem se referiu com termos ofensivos.

O pastor Silas Malafaia também discursou e mencionou o contrato do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Segundo ele, o acordo configuraria “corrupção deslavada”.

Malafaia afirmou que o ministro teria sido “comprado” por meio do contrato da esposa e defendeu que o sigilo dela fosse quebrado e que tanto Alexandre de Moraes quanto Dias Toffoli fossem afastados do STF. Para o pastor, ambos não teriam legitimidade moral para julgar processos na Corte.

Contexto Político e Demandas do Ato

A manifestação ocorreu em meio a um cenário político polarizado no Brasil. Além das críticas ao governo federal e ao STF, os organizadores reforçaram o pedido de anistia aos envolvidos nos acontecimentos de 8 de Janeiro e defenderam medidas alternativas para Jair Bolsonaro.

A presença expressiva de apoiadores na Avenida Paulista demonstra a continuidade da mobilização de grupos oposicionistas e o fortalecimento de discursos críticos às decisões do Supremo Tribunal Federal.

Conclusão

O ato “Acorda, Brasil” consolidou-se como uma das principais manifestações políticas do início de 2026, reunindo entre 20 mil e 22 mil pessoas na Avenida Paulista. Com críticas diretas ao presidente Lula e a ministros do STF, o evento evidenciou o clima de tensão institucional e a forte polarização política no país.

As diferentes metodologias de contagem — tanto por imagens aéreas quanto por software especializado — reforçam a importância da transparência na divulgação de dados sobre mobilizações públicas. Independentemente da estimativa considerada, o ato marcou presença significativa no cenário político nacional.

By Marshal

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