A rede estadual de ensino de São Paulo enfrenta uma nova paralisação de professores nesta quinta e sexta-feira, dias 9 e 10 de abril de 2026.
A mobilização foi convocada pela Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e reúne milhares de docentes em todo o estado.
A categoria busca pressionar o governo por melhorias salariais, valorização profissional e revisão de políticas educacionais consideradas prejudiciais ao ensino público.
Principais Reivindicações da Categoria
Os professores apresentam uma pauta ampla de reivindicações, com destaque para o reajuste salarial e a aplicação correta do piso nacional como base da carreira docente.
A categoria argumenta que os salários atuais estão defasados em relação a outras profissões de nível superior, o que compromete a valorização do magistério.
Outro ponto importante é a implementação da meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a equiparação salarial dos professores da educação básica com outros profissionais com formação equivalente.
Além disso, os docentes cobram a devolução de descontos aplicados a aposentados, considerados injustos pela entidade.
Críticas às Políticas Educacionais
A paralisação também é motivada por críticas a mudanças recentes nas políticas educacionais do estado. Entre elas está o Projeto de Lei 1316, que trata da reforma administrativa da educação e propõe alterações no sistema de avaliação de desempenho dos professores.
Segundo representantes da Apeoesp, a proposta pode resultar em punições injustas, incluindo a possibilidade de remoção obrigatória de docentes. A entidade defende a retirada do projeto e a revisão completa dos mecanismos de avaliação.
Outro tema criticado é a chamada “plataformização do ensino”, que envolve o uso crescente de ferramentas digitais de empresas privadas no processo educativo. Para os professores, essa tendência pode comprometer a autonomia pedagógica e a qualidade do ensino.
Demandas por Melhor Estrutura Escolar
Além das questões salariais e políticas, os docentes também reivindicam melhorias nas condições de trabalho. Entre as demandas estão a abertura de novas turmas no período noturno, especialmente para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), e o fortalecimento da educação inclusiva.
Os professores destacam a necessidade de ampliar o atendimento a alunos com deficiência e garantir recursos adequados para uma educação mais acessível e de qualidade.
Mobilização e Próximos Passos
A paralisação faz parte de uma campanha salarial mais ampla iniciada no início de abril. De acordo com Roberto Guido, presidente interino da Apeoesp, o movimento é resultado de deliberações tomadas em assembleia realizada no dia 6.
Uma nova assembleia está marcada para sexta-feira, às 16h, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), localizado na Avenida Paulista. O encontro será decisivo para definir os próximos passos do movimento, incluindo a possibilidade de continuidade da greve.
Impactos na Rede Estadual
A paralisação deve afetar o funcionamento de diversas escolas estaduais, com suspensão parcial ou total das aulas em algumas unidades. A adesão varia conforme a região, mas a expectativa é de impacto significativo no calendário escolar.
Pais e alunos devem acompanhar comunicados das escolas para verificar possíveis alterações nas atividades durante os dias de paralisação.
Conclusão
A paralisação dos professores em São Paulo evidencia um cenário de tensão entre a categoria e o governo estadual. As reivindicações vão além do reajuste salarial, envolvendo também questões estruturais e políticas que impactam diretamente a qualidade da educação pública.
O desfecho da mobilização dependerá das negociações e das decisões tomadas na assembleia, podendo influenciar o futuro da educação no estado.
