Estudantes do curso de Turismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) participaram, no dia 16 de abril, de uma roda de conversa marcada pela valorização da memória, da ancestralidade e das tradições afro-brasileiras.
O encontro aconteceu na Escola de Direito, Turismo e Museologia (EDTM) e contou com a presença da Rainha Conga Isabel Casimira Gasparino e do historiador Rildo César Souza.
A atividade também marcou o lançamento do livro “Rainha Conga de Minas Gerais e do Reino Treze de Maio”, obra dedicada à trajetória de Isabel Casimira e à importância do congado como expressão cultural, religiosa e comunitária em Minas Gerais.
Lançamento do Livro sobre a Rainha Conga
Mais do que uma apresentação literária, o evento foi pensado como um espaço de escuta, aprendizado e troca entre universidade, estudantes, professores, convidados e lideranças culturais.
A proposta foi aproximar a comunidade acadêmica dos saberes mantidos por mestres e mestras das tradições populares.
Segundo a professora Kerley Alves, o livro não deve ser visto apenas como um registro biográfico. Para ela, a publicação funciona como um documento vivo, capaz de preservar conhecimentos transmitidos ao longo de gerações e fortalecer o diálogo entre a academia e as comunidades tradicionais.
Isabel Casimira e o Reino Treze de Maio
Durante a roda de conversa, Isabel Casimira Gasparino compartilhou experiências de sua caminhada como Rainha Conga e destacou o papel do congado na preservação da fé, da cultura e da identidade coletiva.
Na obra, ela descreve o Reino Treze de Maio como uma “casa sagrada, de fé, de força e de luz”. O espaço é apresentado como um território de práticas religiosas, culturais e comunitárias, carregado de energias ancestrais e de profundo significado para seus participantes.
Oralidade, Ancestralidade e Resistência
O livro reúne memórias, histórias e reflexões sobre espiritualidade, resistência, ancestralidade e pertencimento.
Ao longo dos diálogos que deram origem à publicação, a Rainha Belinha reforça a importância da partilha de saberes como forma de enfrentar o racismo e a intolerância religiosa.
A frase “tudo é para todo mundo” sintetiza uma das principais mensagens da obra: o conhecimento tradicional deve circular, ser respeitado e reconhecido como parte essencial da formação cultural brasileira.
Pesquisa Construída com a Comunidade
O historiador Rildo César Souza, responsável pela coordenação da pesquisa, explicou que a publicação nasceu de encontros realizados no próprio Reino Treze de Maio.
O processo envolveu conversas, registros, escuta atenta e a transformação das narrativas orais em linguagem escrita.
A intenção foi criar um material que servisse de apoio à fala e aos pontos de vista de mestres e mestras das culturas afro-brasileiras, indígenas e populares, respeitando a força da oralidade como forma legítima de produção de conhecimento.
Universidade e Comunidade em Diálogo
A roda de conversa também reforçou o papel da universidade pública na valorização das tradições culturais.
Para Kerley Alves, a presença de Isabel e Rildo na UFOP representa uma oportunidade importante de aproximação entre o ambiente acadêmico e as comunidades que mantêm vivos esses saberes.
Ao apoiar, registrar e difundir esses conhecimentos, a universidade contribui para fortalecer vínculos, combater preconceitos e ampliar o reconhecimento das culturas populares dentro e fora do espaço acadêmico.
Conclusão
O lançamento do livro sobre a Rainha Conga Isabel Casimira Gasparino na UFOP mostrou como academia e tradição podem caminhar juntas.
A atividade valorizou a oralidade, a ancestralidade e a resistência cultural, reforçando a importância de reconhecer os saberes populares como parte fundamental da história e da identidade de Minas Gerais
