Três animais silvestres foram devolvidos à natureza na Reserva Ecológica Estadual da Juatinga, em Paraty, na Região da Costa Verde, após passarem por um importante processo de recuperação e adaptação. A soltura foi realizada na última sexta-feira, 8, pelo Instituto Estadual do Ambiente, o Inea.
Os animais soltos foram duas corujas-murucututu, da espécie Pulsatrix koeniswaldiana, e um filhote de gambá-de-orelha-preta, da espécie Didelphis aurita.
Todos receberam atendimento especializado no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mambucaba, conhecido como CRAS, antes de estarem aptos a retornar ao habitat natural.
A ação representa mais uma etapa importante no trabalho de proteção da fauna silvestre no estado do Rio de Janeiro, especialmente em áreas de grande valor ambiental, como a Reserva da Juatinga.
Corujas chegaram ainda filhotes ao centro de reabilitação
As duas corujas-murucututu deram entrada no CRAS em datas diferentes, ainda quando eram filhotes. Uma delas chegou ao centro no dia 6 de outubro de 2025, após ser resgatada por um guarda-parques do Inea.
Na ocasião, o animal estava desidratado e apresentava parasitas, situação que exigiu cuidados intensivos.
A segunda coruja foi recebida no dia 4 de dezembro de 2025. Assim como a primeira, também precisou passar por acompanhamento técnico para garantir seu desenvolvimento saudável e seguro.
Durante mais de quatro meses, as aves permaneceram sob monitoramento especializado. O processo de reabilitação foi planejado para permitir que elas desenvolvessem força, autonomia e comportamento adequado para sobreviverem novamente em ambiente natural.
Etapas prepararam as aves para voar e caçar
A recuperação das corujas ocorreu em diferentes fases. No início, os filhotes ficaram em um ambiente controlado e protegido, semelhante às condições de um ninho. Essa primeira etapa foi essencial para oferecer segurança, conforto e estabilidade durante o crescimento.
Depois, as aves foram transferidas para um viveiro externo menor. Nesse espaço, passaram a ter contato gradual com estímulos naturais, como sons, variação de luz e movimentos do ambiente. Essa fase ajudou no fortalecimento da musculatura e na adaptação ao mundo externo.
Na fase final, as corujas foram levadas para um recinto externo maior, onde puderam treinar voos, melhorar o condicionamento físico e praticar habilidades de caça. Esses comportamentos são fundamentais para a sobrevivência da espécie na natureza.
Filhote de gambá também recebeu cuidados intensivos
Além das corujas, um filhote de gambá-de-orelha-preta também foi devolvido à vida livre. O animal havia sido resgatado após a mãe ser atropelada e morrer.
Apesar do acidente, ele e outros oito filhotes sobreviveram porque estavam protegidos no marsúpio materno, a bolsa abdominal característica dos marsupiais.
Após o resgate, os filhotes foram levados rapidamente ao CRAS, onde receberam cuidados neonatais. Por serem muito jovens, precisaram de alimentação assistida, controle de temperatura e monitoramento constante.
A adaptação dos gambás vem ocorrendo de forma gradual. Segundo o processo de reabilitação, os animais são soltos conforme o desenvolvimento individual de cada um, garantindo que estejam preparados para viver de forma independente.
Reserva da Juatinga protege Mata Atlântica e comunidades tradicionais
A Reserva Ecológica Estadual da Juatinga fica no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, no município de Paraty. A unidade de conservação possui cerca de 9.797 hectares e abriga importantes áreas preservadas de Mata Atlântica.
Além da floresta, a reserva protege ecossistemas como restingas, manguezais e costões rochosos. Criada em 1992, a unidade tem como objetivo conservar a biodiversidade, a paisagem natural e também a cultura caiçara.
Atualmente, aproximadamente 1.500 pessoas vivem na área da reserva, distribuídas em 15 comunidades e núcleos de ocupação ao longo da costa.
Toda a região também está inserida na Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, unidade federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação.
Conclusão
A soltura das duas corujas-murucututu e do filhote de gambá-de-orelha-preta reforça a importância dos centros de reabilitação e das áreas protegidas para a conservação da fauna brasileira.
Após meses de tratamento, adaptação e treinamento, os animais puderam retornar com segurança ao ambiente natural da Reserva da Juatinga.
A ação também destaca o papel do trabalho integrado entre resgate, atendimento veterinário, monitoramento ambiental e preservação de habitats.
Em regiões ricas em biodiversidade, como Paraty, iniciativas desse tipo são essenciais para garantir que animais silvestres tenham uma nova chance de sobreviver na natureza.
