A corrupção vem aumentando em diversas partes do mundo, de acordo com o levantamento anual da ONG Transparency International, que mede a percepção pública sobre o problema. Esse aumento pode estar relacionado ao enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras, sendo substituída por um ambiente em que os mais fortes impõem suas vontades, enquanto os mais fracos seguem o fluxo. Ainda que seja apenas uma percepção, a situação é preocupante, especialmente para o Brasil, que manteve sua pior posição no índice de percepção de corrupção da ONG.
Escândalos e Falhas Estruturais
Não se trata apenas de casos conhecidos, como os escândalos do INSS e Master. A Transparency International aponta para a chamada inércia do STF na análise de recursos referentes à decisão do ministro Dias Toffoli, que anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht, ligado ao episódio do Petrolão. Esse exemplo reforça uma das principais conclusões da ONG: existem fragilidades estruturais no sistema brasileiro de controle da corrupção.
Além disso, a ONG destaca a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, contratos de alto valor envolvendo familiares de membros do Supremo Tribunal Federal, conflitos de interesse e interferências indevidas em investigações. Outro ponto crítico observado é o crescimento das emendas parlamentares, consideradas facilitadoras de práticas corruptas.
Um Cenário de Estagnação
Segundo a Transparency International, o panorama da corrupção no Brasil é de estagnação profunda. Apesar das reformas e medidas anunciadas ao longo dos anos, o país permanece em um ciclo de fragilidades institucionais que dificultam o combate efetivo à corrupção, mantendo o país em uma posição preocupante no ranking global.
Conclusão
O Brasil enfrenta desafios estruturais graves no combate à corrupção. Entre a inércia das instituições, escândalos de grande repercussão e a interferência de interesses privados, o cenário atual demonstra que medidas superficiais não são suficientes. O país precisa fortalecer mecanismos de controle, transparência e responsabilização para avançar na luta contra a corrupção e melhorar sua posição em rankings internacionais.
